O Brasil atrai mais executivos expatriados
Data: 07/31/2011 12:00:00 AM EDT | 0
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Desempenho econômico recente e perspectivas de crescimento tornam País muito mais promissor para estrangeiros do que era há alguns anos
O Brasil entrou definitivamente no mapa do mercado internacional de trabalho para executivos. Os motivos são, principalmente, o bom desempenho econômico do País durante a crise financeira, a perspectiva de crescimento forte em áreas estratégicas, os salários mais atrativos com a valorização do real e a oferta de vagas, farta aqui e restrita lá fora.
"O Brasil hoje é visto como uma pérola no mundo inteiro", afirma Alfredo Assumpção, sócio-diretor da Fesa, empresa de recrutamento de executivos. "Vai haver muito investimento, o País ganhou o grau de investimento, foi muito bem na crise e, se não cresceu, não caiu."
Com isso, o País tem atraído executivos de várias partes do mundo, observa. "Há uma oferta natural de estrangeiros. Recebo pelo menos 10 currículos por dia de estrangeiros querendo vir para o Brasil, da Índia, China, Europa, Estados Unidos, Austrália."
Um estudo realizado pela consultoria de recursos humanos Mercer, a pedido do Estado, mostra o aumento da relevância do mercado brasileiro. A pesquisa, feita no início do ano com 33 empresas, mostra que, entre 2005 e 2009, dobrou o número de estrangeiros trabalhando no Brasil. O número médio de executivos por empresa passou de 11 para 21.
Mas o oposto também aconteceu: há mais brasileiros trabalhando em companhias no exterior. Há cinco anos, a média era de 16 executivos brasileiros por empresa. No ano passado, foram 29. Os principais destinos desses profissionais foram países da América Latina, seguidos pela América do Norte e a Europa.
Nível. Segundo Assumpção, os interessados em vir ao País costumam ter altíssimo nível de qualificação. "São executivos normalmente que cuidam de áreas de negócios, que cuidam de dois ou três países, acostumados a lidar com operações grandes."
De acordo com o headhunter, a vinda ao Brasil pode ser compensadora em termos financeiros. "Aqui tem oportunidade de ganhar mais dinheiro no médio e longo prazos do que na Europa, por exemplo. É uma terra da oportunidades." A isso, soma-se a oferta hoje restrita de executivos de alto nível no País. "O Brasil não tem política de educação que prepare executivos para um crescimento econômico de 5% a 6% ao ano."
Para César Souza, sócio-diretor da Empreenda, entretanto, a escassez de talentos no País não quer dizer que os brasileiros não tenham potencial. "Não é uma questão de competência. É que não se tem em quantidade e qualidade suficiente. Da forma como a economia está crescendo, levaria de dois a três anos para formação. Nesse caso, é mais fácil trazer de fora."
Segundo ele, a importação de executivos ocorre em vários níveis de liderança. "Mesmo as empresas brasileiras que não são múltis, que querem se profissionalizar e querem ampliar mercado, estão começando a recrutar, não digo presidentes, mas em nível gerencial e de projetos específicos, áreas técnicas, estão trazendo de fora."
Alguns setores se destacam na atração de estrangeiros, diz Souza. Entre eles estão o de estaleiros ? que não tem mão de obra formada no setor no País ? e siderurgia. "A caça por mão de obra está intensa, a base de salário subiu, e as empresas têm dificuldade de achar brasileiros."
Em encontro de executivos da Case Consultores, o economista Ricardo Amorim disse que o bom momento econômico tem feito com que brasileiros expatriados queiram retornar ao País. "Há claros sinais de que a economia brasileira está vivendo um momento extremamente positivo. Muitos brasileiros, como eu, voltaram a viver no País, e até mesmo os estrangeiros querem vir para cá, em busca de oportunidades", disse.
Norberto Chadad, CEO da Case Consultores, disse que 10% do recrutamento realizado pela empresa já é feito hoje a partir de solicitações feitas do exterior. "São principalmente empresas que querem se instalar no Brasil, mostrando que nosso País está definitivamente no centro das atenções da economia mundial."
Renata Gama entrevistou um dos palestrantes de Expatriados Brasil em 2010.
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